Turismo de Portugal

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O site www.visitportugal.com venceu o prémio de Melhor Site Oficial de Turismo Mundial dos World Travel Awards e o organismo responsável pela promoção deste sector nacional saiu vitoriosa na categoria de Melhor Organismo Oficial de Turismo Mundial.

Portugal mostra-se ao Mundo com uma imagem algo diferente daquela com que por vezes nos caracterizamos. Por vezes, prolongamos os estereótipos fazendo deles profecias auto-concretizáveis. Acomodamo-nos à imagem que criamos de nós mesmos e vivemo-la internamente.

Quando somos sujeitos à avaliação de terceiros os factos são diferentes. Somos vistos como um povo de trabalho, de superação pessoal, de aculturação positiva em comparação com emigrantes de outras origens.

Estes prémios valem mais do que as categorias a que dizem respeito. Valem pela atestação fidedigna, feita prova, de que somos muito mais do que pensamos ser.

Numa conversa casual, por altura de uma das minhas viagens, uma senhora afirmava-me que tinha adorado o sul do nosso país, que tinha pena de ainda não conhecer o norte e que alimentava o sonho de viver em Portugal. Porque temos mar, temos bom clima, temos qualidade de vida, somos hospitaleiros, temos uma das melhores gastronomias do mundo, temos preços baixos para o nível de vida dos estrangeiros e temos muita História. Ouvir tudo isto da sua voz, numa situação que não exigia qualquer tipo de elogio por simples simpatia, despertou em mim o orgulho de pertencer à nossa gente.

Houve uma altura em que, para além de pensarmos que a galinha da vizinha era melhor do que a nossa, tínhamos mau marketing. Agora, o único passo que nos resta é repetir em surdina que as galinhas alheias não são melhores, são apenas diferentes.

O marketing do Turismo português ganha pelos seus argumentos simples. Não precisamos de elaborações grandiosas,  basta mostrar o que sempre tivemos. Basta demonstrar como somos.

Se isso é suficientemente bom para quem nos vê do lado de fora devia ser motivo de orgulho para nós.

Somos um destino de eleição, mas temos um caminho a percorrer enquanto portadores da nossa identidade nacional.

Há sempre um destino, mas o que conta é a viagem.

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Qual é a forma certa de viajar? (por Ricardo Alves Lopes)

38631868_10212552814471535_358901455962243072_oConvém referir já: este texto não é propriamente sobre viagens. É uma batalha com que me tenho debatido em muitas questões da minha vida e da sociedade em que vivemos. É sobre o certo e não certo.

Em primeiro lugar, não há uma forma certa de viajar. Isto é a minha tal batalha interna e, mesmo, externa. Procuramos em tudo um certo e, com isso, damos pouco espaço ao incerto, ao improvável e, na verdade, ao incrível. O viajar é apenas mais um exemplo!

Vivemos numa era de colecionadores, mas onde tudo é efémero. Reparam na ironia? Juntar, para rapidamente esquecer. É assim que vivemos. E nas viagens isso reflete-se, também. Com a chegada dos blogs, redes sociais e tantas outras plataformas de partilha muito imediata e amplamente difundível, aumentamos a necessidade de ser incríveis. Precisamos estar alerta e em grande plano a todo o momento, senão o blog de viagens do lado surge mais vezes, com mais destinos, com mais experiências, e ficamos para trás. Sem audiência.

Este padrão de consumo atual, rápido, curto e efémero – propositadamente redundante! – influencia a forma como viajamos. Um fim-de-semana fora na companhia da nossa namorada não pode ser para nos deitarmos de papo para o ar, na areia, com o sol a tostar e o mar a zumbir pequenos assobios de mindfulness na nossa cabeça. Isso é desperdiçar uma viagem. Devíamos aproveitar para conhecer as terras em volta, os monumentos que a cidade oferece e a diversidade da zona, com praia, sim, mas também montanhas e arquitectura clássica. Não é?        

Eu acho que não. Isto é colecionar, à força, momentos. Não é tão boa a sensação de irmos a um sítio, gostarmos tanto, e termos vontade de um dia lá voltar para ver o que falta?

É.

Mas actualmente não aceite. Temos que ir, ver e fotografar. Muito. Bastante. A toda a hora. Aproveitar todos os momentos. Para que a viagem seja realmente incrível é quando voltarmos e contarmos aos nossos amigos, família e conhecidos. Porque lá nem tivemos tempo para saborear uma paisagem, parar numa esplanada, ouvir uma pessoa local a falar ou sentir o sol a queimar. Seja no Algarve, na Indonésia ou na América do Sul.

Mas isto é a forma errada de viajar? Não. Eu já fiz viagens assim que adorei. Só quis que pensassem nisto. Mas, como disse quase no início do texto, não há uma forma certa de viajar. Interessa é que gostemos.