Guilherme e os Duendes

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Decidi escrever um novo conto de Natal. Comecei por libertar aquelas amarras com que, por vezes, tentamos recriar o realismo. Baptizei as personagens com os primeiros nomes que me surgiram e alguns são bem estranhos. Fledik, Yordik, Taldik e Uldrik. Quatro duendes, ajudantes do Pai Natal, que compõem o coro mais bonito que possam imaginar. Neste conto, cantam para Guilherme, o menino que é a estrela da história.

A capa, muito mais bonita do que aquela que eu teria idealizado, foi criada pela Filipa Cardoso.

Como o Natal não se faz sem amor ao próximo, decidi oferecer metade do valor de capa para o Instituto Português de Oncologia. Faço uso das novas tecnologias e das suas vantagens. Não há intermediários. Há apenas a vontade de ser lido e de dar.

O preço do ebook (livro em formato electrónico) é de 2€, mas o pagamento é decidido pelos leitores. Independentemente do valor que escolheres, apenas 1€ é retido para registo da obra, ISBN e para promover outras actividades relacionadas com a iniciativa.

É uma história pequenina que me deu muito gosto criar. Relê-la, aquando da revisão do texto, foi para mim uma experiência sentimental, apesar de ter sido eu a criá-la e a dar-lhe o fim que tem. O Natal também é isto: criar e sentir.

Para vocês e para o IPO, Guilherme e os Duendes, porque qualquer escritor sabe que há sempre um destino, mas o que conta é a viagem.

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Fascismo, Um Alerta ( de Madeleine Albright)

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A política tem má fama. A culpa é, obviamente, de alguns políticos. Enquanto ciência, a política não pode ser ser negligenciada. É algo inerente à comunidade que todos constituímos. Fazemos política em casa quando estabelecemos regras de comportamento para os filhos; fazemos política quando negociamos algo com o nosso cônjuge; fazemos política todos os dias quando aceitamos algum incentivo no nosso emprego. Nas nossas empresas, fazemos política quando determinamos o caminho da nossa visão, quando cumprimos um objectivo a que nos propomos ou quando chamamos um funcionário à razão.

Todos somos políticos. Ainda assim, alguns têm o péssimo hábito de repudiar a política como se de algo venenoso se trata-se. Essa atitude passiva, que equivale aproximadamente ao silêncio durante uma conversa que não pode ser interrompida, está a criar um caminho de dissabores já percorridos na História.

A discussão política propagou-se em Portugal devido às eleições brasileiras. Jornais, como o Expresso, manifestaram-se claramente quanto à sua posição. Bolsonaro despertou a paixão de uns e o arrepio de outros através da sua inequívoca razão. Ou daquela que ele acha ter, pelo menos.

Defendo a democracia como uma solução politicamente humana de resolver os problemas nacionais e mundiais. Não gosto de ditadores nem de figuras que dizem usar a voz do povo querendo estar acima deste. Não gosto de desaforos políticos ou de gritos histriónicos que alimentam os tablóides.

Manifestei-me publicamente contra a eleição do actual Presidente do Brasil. Como escrevi neste  artigo, a evolução da sua persona política recorda-me assustadoramente outras que deram ao mundo uma face cheia de cicatrizes.

Numa das minhas habituais viagens, comprei o livro de Madeleine Albright intitulado Fascismo, Um Alerta. A primeira mulher Secretária de Estado dos Estados Unidos da América, vítima indirecta do fascismo e actual professora universitária escreve-nos sobre a sua preocupação. Não é um ensaio extremamente técnico. É uma colecção de dados que se consubstanciam entre si e que provam que o fascismo é algo que teve início mas que não terá fim.img_9941

Durante a leitura tive sensações pouco comuns. Concordância plena em algumas passagens, preocupação estimulada por factos que se somam, esperança de que os sinais sejam lidos conforme no livro. Encontrei nestas páginas ideias que gostaria que a memória não perde-se, como manifestei neste meu discurso.

Madeleine não nos fala de Bolsonaro, mas fala muito sobre Donald Trump. Divide-o dos absolutamente fascistas, mas descreve as características que o Presidente dos Estados Unidos possui que o aproximam dessa corrente. Considera-o legítimo, mas refere-se negativamente ao desrespeito que nutre pelas instituições democráticas.

Madame Secretary não faz dos políticos com comportamento desviantes uma amálgama. Diferencia-os com a nitidez de quem conviveu com muitos e de quem ouviu algumas verdades das suas bocas, apesar de deturpadas em nome do poder.

Mussolini, Hitler, Chávez, Maduro, Erdogan, Putin, Trump e a dinastia Kim da Coreia do Norte são apenas alguns dos líderes dissecados nas suas características quer positivas quer perigosas (sendo, algumas delas, coincidentes).

Um livro claro, lúcido e fruto da experiência política de quem ainda hoje frequenta a esfera do poder com o conhecimento do seu efeito aditivo e corruptor.

Um livro que nos mostra que a humanidade tem um destino que desconhecemos, mas que é também através da política (e da memória) que devemos construir o seu caminho.

Para o Homem há sempre um destino, mas o que conta é a viagem.

Métricas

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Ser trabalhador é bom. Ser consistente é óptimo. Cumprir objectivos é sensacional. Mas há perigos nas métricas.

Quando estabelecemos aquilo que queremos atingir fazemo-lo de forma fácil. A ideia pode estar já na nossa cabeça, percorrer o nosso inconsciente e a decisão acaba por ser imediata. A colocação em prática é sempre a parte mais difícil. Sabemos que temos de ter força para começar e aumentá-la para manter os nossos padrões. É por isso que nos servimos de métricas.

Para escrever um livro podemos definir o número de palavras; para vender um produto definimos o número de vendas que nos dará lucro; para viajar definimos o número de cidades que queremos ver e, nelas, os monumentos que queremos visitar.

E se tal não se der? É aí que entra a angústia. A sensação de ter falhado. Não damos espaço para o improviso, para o expontâneo. Não cedemos à novidade e podemos, por isso, perder até algumas das maiores vantagens de sairmos do sítio.

Ter métricas não é, por si só, desvantajoso. Pelo contrário, elas podem ajudar-nos a chegar onde queremos.

Ser dependente das métricas, isso sim, é péssimo. Devemos fazer o que queremos, o que gostamos, como gostamos e no tempo que nos aprouver. Podemos ter de cumprir prazos, é certo, mas devemos cumpri-los à nossa maneira.

Não há fórmula que se aplique a nós. Existem apenas os nossos meios, as nossas ideias.

É preciso concretizar, mas também é preciso ser livre.

Afinal, há sempre um destino, mas o que conta é a viagem.

Anormalmente Bom, de Nuno Fontes

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Todos temos ambições. Temos sonhos, planos, projecções. Aguardamos um futuro melhor e fazemos para que isso aconteça (os que o fazem, pelo menos).

Um certo dia, duvidamos. Começamos a questionar se o caminho que escolhemos é aquele que realmente nos dará prazer e felicidade. Desviamo-nos daquela força interior que nos faz acordar motivados e não percebemos porque razão a sensação que antes tínhamos em relação às nossas escolhas mudou.

Anormalmente bom. Isso é o que cada um de nós gostaria de ser. Por isso, alguns de nós compram livros de auto-ajuda com fórmulas quase mágicas para tentar a resolução de todas as dúvidas.

Anormalmente Bom, escrito por Nuno Fontes, é diferente. É não-ficção dentro da ficção e uma compilação de conselhos que nos ajudam a ser cada vez melhores (e anormalmente bons) através da vida aparentemente bem-sucedida duma personagem que é ajudada a reencontrar essa alegria de ser, fazer e estar.

Escrito em formato de romance, Anormalmente Bom leva-nos a acompanhar o percurso de John Gibbins que, apesar de estar bem posicionado profissionalmente, perdeu o prazer em lutar e se encontra numa encruzilhada. Gibbins pensa que talvez não seja talhado para tudo aquilo que sonhou e interioriza isso de forma venenosa no seu desempenho. 

Através duma série de encontros com pessoas anormalmente boas e de várias lições de vida retiradas de histórias de superação alheias, Gibbins permite-se à permeabilidade e à escuta, cumpre um caminho diferente daquele que o levou até aqui e começa a aproximar-se da qualidade anormal ao mesmo tempo que reencontra a alegria. Enquanto isso, leva-nos com ele nesse percurso onde também somos bafejados pelos múltiplos conselhos de ativação energética, desempenho acima da média e prática de excelência.

O livro de Nuno Fontes é perfeito para quem aprecia boas histórias de concretização e é tão indicado para quem adora como para quem detesta livros de auto-ajuda. No fundo, quem quiser ser ajudado através duma checklist de procedimentos pode extraí-la dos conselhos que Gibbins recebe. Quem apenas se dedicar à história do executivo acabará, igualmente, por encontrar todos esses conceitos que dela fazem parte.

Como indicado na sinopse, “ao longo da caminhada, John apercebe-se gradualmente de que ser o melhor significa muito pouco e que lutar diariamente por ser cada vez melhor significa tudo.”

E isto é o mesmo que dizer que há sempre um destino, mas o que conta é a viagem.

Uma Biblioteca da Literatura Universal, de Hermann Hesse

Hermann Hesse

Ler é uma das formas mais bonitas de viajar. Somar as duas actividades é viajar ao quadrado. Sentir o poder das palavras enquanto se vive a propulsão dos motores, a força gravitacional que nos impulsiona, dentro e fora, para um destino que é tanto físico como etéreo. 

Voando mais, leio mais. Há mais tempo sentado, menos solicitações do mundo moderno, mais tempo a sós. 

Nunca estou sozinho. Os livros sempre foram a minha maior companhia e o meu caminho preferido para o cumprimento de desígnios que acredito serem só meus. 

Por isso, hoje relevo Hermann Hesse e o seu Uma Biblioteca da Literatura Universal. 

Ler é uma actividade superior. Como em todas as faces superlativas da existência humana, nem todos os seus praticantes são merecedores dessa designação. Há quem leia sem saber ler.

Daí que proliferem as palavras superficiais, mais líquidas do ponto de vista quer da sua consistência quer do lucro. 

Hesse fala disso e de muito mais. De como seremos leitores diferentes em fases diferentes da nossa vida, de como podemos viver dentro e fora dos livros mas sempre através da leitura, de como somos muito mais humanos quando lemos do que quando deixamos despercebidas as palavras que a História nos deixou.

Fala ainda da liberdade. Renuncia aos intelectualismos de quem afirma que só lendo os clássicos se existe enquanto leitor, aproveitando para os sublinhar como obras notórias e dando liberdade ao leitor, como entidade, para que faça a sua própria coleção.

Não esquece a consciência. Cita o esforço que é necessário para crescer com os livros que lemos, surpreende-se com os nomes que, outrora desaparecidos, renascem nas mãos das novas gerações que agora os veneram imensamente.

Deste livro, poderiam sair tantos outros quanto interpretações diferentes da arte de ler. Tantos quantos somos enquanto leitores vivos. A sua versão, tão pessoal e íntima, abre-nos as portas à nosso própria essência, para que a agarremos e sintamos com a força que ela procura e merece.

Uma Biblioteca da Literatura Universal é prova de que só escreve quem lê. Só escreve bem quem lê melhor. Hesse é, por isso, um dos eternos leitores da Humanidade e concordaria que também na leitura há sempre um destino mas o que conta é a viagem.

Voar não mata

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Quando a vida se transforma as dúvidas chegam até nós sob a forma de perguntas directas, mas a mudança que se operou não pode ser objectivada apenas em poucas respostas. Ainda assim, quem insiste em perceber uma tomada de decisão que resultou, uma batalha vencida ou um objectivo concretizado, não os vai perceber. É no detalhe e no processo, na consistência e na paciência que se encontra uma das maiores forças motrizes da aprendizagem.

Quando me perguntam se não me canso de viajar de avião a resposta é sempre negativa. Para mim, além dum prazer supremo, o voo não é um tempo morto. Faça dois voos num dias, vários numa semana ou apenas dois num mês, o entusiasmo é parecido e a atitude perante o tempo em que estarei confinado ao avião é semelhante.

Confinado? A escolha é propositada. Honestamente, apenas o corpo está confinado a um espaço que, graças aos programas de fidelidade das companhias, nem sequer é tão desconfortável quanto poderia ser. A mente, por seu lado, vagueia na palavra escrita, na imagem cinematográfica ou em notas musicais flutuantes. E no sono!

Tenho apreciado algumas obras-primas que acabam por se tornar sucessos mundiais, como La Casa de Papel, e descoberto enormes pedaços de entretenimento culturalmente estimulante que passam quase despercebidos, como vários dos últimos livros que li – Lire de Bernard Pivot e Cécile Pivot, Felices de Elsa Punset, Uma Biblioteca da Literatura Universal de Hermann Hesse, entre muitos outros que fazem querer que tenho a pontaria cada vez mais afinada… – e filmes surpreendentes como Sztuka Kochania, sobre a vida da sexóloga Michalina Wislocka, Primeiro Mataram o Meu Pai, de Angelina Jolie, ou 7 Años.

Poderia dispor estas intrusões num texto imenso, mas deixemos que este seja apenas o aperitivo. Qualquer refeição deve ser degustada e não apenas digerida, dar prazer enquanto nutre, porque nesta mesa cultural que se mostra tão abundante encontramos a metáfora da vida e das suas opções. Nela também há sempre um destino, mas o que conta é a viagem.

Em ligação permanente

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Ainda não explanei todas as minhas actividades aqui no Pista de Aterragem. Decidi criá-lo com o intuito de mostrar como é crescer à medida que o faço, ao contrário daqueles que partilham unicamente quando já atingiram um patamar digno de nota. Corro mais riscos, exponho-me mais ao erro e à possibilidade dele ser perceptível a todos e sujeito-me a um género de pressão que, podendo ser arrebatadora, me é agradável.
Acredito que tudo aquilo que faço tem uma ligação. Quanto mais não seja, a ligação sou eu. Refiro-me, contudo, a uma ligação entre actividades. É verdade que tudo se torna mais difícil ao princípio. Estou constantemente a entrar em novos mundos, porque me dá prazer, mas custa ter de lutar a cada passo de implementação. Somos sempre debutantes, quando assim fazemos.

Um negócio pleno

O princípio subjacente a tudo isto é a exponenciação. Em boa verdade, e tentando não ser naif, tento potenciar um caminho com outros e estes com o anterior. O meu desejo é chegar àquele ponto em que tudo se soma como uma rede.
Essa rede consubstancia-se nos contactos, nas oportunidades, nas possibilidades em forma de portas abertas. Lembro-me com muito prazer dum negócio que executei em que o cliente nos contratou para publicidade, sob forma de cartazes para expor num trio elétrico em movimento pela cidade, e acabou por adquirir o nosso serviço de filmagem aérea com drone, fotografia e animação. No final, comprou vários caps da nossa marca para as suas lojas de desporto. Fizemos o pleno, portanto.
Neste caso, talvez único pela dimensão que tomou no momento em que aconteceu, senti-me profundamente realizado e validado. Dei oportunidade a outro de desempenharem o seu papel, tornando-se vitais na concretização dos meus objectivos, e potenciei várias marcas da minha empresa, a Spoon Eyes, através dum único contacto. Se não existissem várias bases de acção, vários caminhos, tal não seria possível.

Os livros de Chris Guillebeau

Tudo se constrói a um ritmo próprio, apesar do meu sentido de urgência ser tal que não me deixa muita vontade para esperar. Olhando para trás vale a pena. Olhando para o que está feito sinto que o caminho é cada vez mais certo e vejo cada vez mais pessoas a adoptá-lo.
Há pouco tempo comprei um livro do autor que me deu o mote para fazer algo meu no mundo dos negócios. Chris Guillebeau escreveu The $100 Startup que eu li num momento crucial da minha vida. O seu novo livro, Side Hustle, é a minha mais recente aquisição de não-ficção. Já li uma boa parte e sinto de novo aquela vontade de empreender, de fazer algo por mim, pela minha equipa, por aqueles que acreditam em nós.
Não existem caminhos totalmente certos. Existem caminhos mais certos para uns do que para outros. Este é o meu e gosto imenso de partilhá-lo convosco há medida que ele se desenrola.
Tenho em vista vários objectivos para as nossas marcas e, em tempo útil, irei partilhar isso convosco. Faço isto sem nunca perder de vista que há sempre um destino, mas o que conta é a viagem.