Eu prefiro Kona

Marcas

Qualquer atividade tem valor, se o souber criar. É aquilo que providenciamos ao cliente que conta, seja a qualidade dum produto ou a excentricidade duma experiência. A qualidade e a excelência são valor que o cliente apreciará e pelo qual estará disposto a pagar.

Para carimbar esse valor uniformemente criam-se marcas. O valor oferecido pela empresa ao cliente começa a ganhar dimensão e reconhecimento e tem um nome associado: a marca.

Kauai vs. Kona

É esse nome que será partilhado no incomparável boca-a-boca. Podemos lembrar-nos imediatamente de várias marcas e do seu valor planetário, mas gostaria de vos falar do próximo Hyundai Kauai. Prestes a sair em Portugal, foi baptizado de forma diferente no nosso país, em relação ao seu nome original. Inspirado numa ilha do Havai, o seu verdadeiro nome pelo mundo fora é Hyundai Kona.

Hyundai Kona

Lá fora é Kona, em Portugal é Kauai

Facilmente se percebe qual foi a preocupação da Hyundai Portugal ao decidir apelar à mudança de nome. A confusão que criaria com algumas chalaças e associações livres seria estranha.

Buzz e copywriters

No entanto, o buzz que isso tem criado já os beneficia. O facto de terem trocado Kona por Kauai ficará na história recente dos veículos e torna-os mais relevantes em termos digitais porque será tema de conversa. Para mim, trata-se duma enorme perda…

Se a marca gostasse mais do primeiro nome e não se preocupasse realmente com isto, poderia ter contratado um humorista e ter as vendas exponenciadas. Um bom copywriter poderia utilizar estas sugestões:

“Todos querem comprar Kona à Hyundai”.

“Quando entro no concessionário da Hyundai só penso em Kona”

“Não há melhor do que Kona”

“Troquei o meu antigo Hyndai por Kona”

“É fácil ter Kona. Basta ir à Hyundai”

“Pai, quero Kona. Vai à Hyundai, filho”

O meu smartphone sempre conectado com Kona

“O meu smartphone sempre conectado com Kona”

Além disso, segundo meu irmão Francisco, é muito mais másculo andar de Kona do que de Kauai. Mais do que uma questão de significados ou associações é mesmo uma questão de sonoridade. Kona enche a boca (salvo seja) e Kauai parece um débil gemido.

Uma oportunidade impagável

O mais importante perceber é que a marca coreana pode ter ganho uma enorme oportunidade de propagação desta forma, sem saber. Em Portugal, querem desperdiçar um dos mais belos acasos de geolocalização de marca.

O valor proporcionado pela marca através dos seus carros já é reconhecido pelos seus clientes e potenciais compradores, pelo que um pouco de barulho de fundo poderá até ajudar nas vendas. Não existe má publicidade, como dizia P. T. Barnum.

Afinal, mesmo os atalhos fortuitos ou as vielas do desentendimento fazem parte do nosso caminho. Neste caso a Hyundai bem podia ter esquecido o resultado final e lembrar-se que dentro dum carro, mesmo com nome peculiar, há sempre um destino mas o que conta é a viagem.

Competências: hard skills e soft skills

O que é mais valorizado pelos empregadores? Aquilo que sabemos e temos ou aquilo que somos? É exactamente sobre essa diferença que reside a maior taxa de insucesso em entrevistas. Os candidatos debruçam-se, na maioria das vezes, naquilo que têm (o diploma), no que supostamente sabem (a formação que tiveram) e não naquilo que são (as características pessoais e intrínsecas que realmente fazem o perfil do candidato.

Experiência

Esta problemática é muitas vezes espelhada na “pescadinha-de-rabo-na-boca” da experiência e da formação. Quando saímos da faculdade ou do nosso curso de formação, somos amiúde rejeitados por falta de experiência, mas se não nos derem oportunidade de trabalho nunca a vamos ter e continuaremos sempre nesse ciclo.

Por outro lado, existe a experiência que traz vícios. Alguém com muita experiência pode ser rejeitado por ter hábitos que remetem ao seu posto de trabalho anterior e que não se coadunam com a nova oportunidade. Ou seja, a experiência não é tudo.

Prioridade aos soft skills

Por isso é que os soft skills são prioritários. Os hard skills como a formação, o conhecimento, as classificações são factos importantes, sem dúvida, mas que nada dizem do candidato. Como ele, muitos outros estudaram ali, tiraram notas iguais, fizeram os mesmos estágios e, num mundo desigual, alguns até compraram alguns dos diplomas de formações que apresentam no CV.

Se todos os candidatos são praticamente iguais, o que diferencia é a pessoa que está por detrás do candidato. Se é de confiança, se é aplicada, se é resiliente e resistente à mudança, se é um bom moderador de conflitos, se é alguém flexível e com grande capacidade de adaptação… Isso sim é a pessoa que todos procuram.

Isso acontece porque, com os hard skills básicos, uma empresa pode moldar um candidato com soft skills de destaque à sua filosofia e fazer dele uma mais-valia. Durante esse persurso, os hard skills também aumentarão por consequência, o que não acontece necessariamente na ordem inversa.

Soft skills resistem à mudança

Todos sairemos do sítio onde trabalhamos hoje ou, pelo menos, algo mudará nas nossas funções. Em última análise, muito mudará na nossa vida profissional. Podemos mudar de posto, de empresa, de patrão… A entidade que nos paga pode falir, pode ficar obsoleta com o avanço tecnológico, pode retirar-nos a vantagem que os nossos hard skills possam constituir. Já os soft skills são aquilo que ninguém nos tira. Somos nós.

Qualquer candidato que se sente perante um entrevistador deve lembrar-se que está prestes a iniciar uma viagem. O entrevistador, da sua parte, tem presente que o quotidiano faz o futuro, por isso não aponta para longe. Aponta para amanhã, ou mesmo para o agora, para preparar esse futuro.

O candidato tem de saber que ser quem é pode ser o seu maior trunfo porque isso fará ambos aproveitar para ver mais do que apenas o destino. Afinal, há sempre um destino, mas o que conta é a viagem.

Em ligação permanente

street and web

Ainda não explanei todas as minhas actividades aqui no Pista de Aterragem. Decidi criá-lo com o intuito de mostrar como é crescer à medida que o faço, ao contrário daqueles que partilham unicamente quando já atingiram um patamar digno de nota. Corro mais riscos, exponho-me mais ao erro e à possibilidade dele ser perceptível a todos e sujeito-me a um género de pressão que, podendo ser arrebatadora, me é agradável.
Acredito que tudo aquilo que faço tem uma ligação. Quanto mais não seja, a ligação sou eu. Refiro-me, contudo, a uma ligação entre actividades. É verdade que tudo se torna mais difícil ao princípio. Estou constantemente a entrar em novos mundos, porque me dá prazer, mas custa ter de lutar a cada passo de implementação. Somos sempre debutantes, quando assim fazemos.

Um negócio pleno

O princípio subjacente a tudo isto é a exponenciação. Em boa verdade, e tentando não ser naif, tento potenciar um caminho com outros e estes com o anterior. O meu desejo é chegar àquele ponto em que tudo se soma como uma rede.
Essa rede consubstancia-se nos contactos, nas oportunidades, nas possibilidades em forma de portas abertas. Lembro-me com muito prazer dum negócio que executei em que o cliente nos contratou para publicidade, sob forma de cartazes para expor num trio elétrico em movimento pela cidade, e acabou por adquirir o nosso serviço de filmagem aérea com drone, fotografia e animação. No final, comprou vários caps da nossa marca para as suas lojas de desporto. Fizemos o pleno, portanto.
Neste caso, talvez único pela dimensão que tomou no momento em que aconteceu, senti-me profundamente realizado e validado. Dei oportunidade a outro de desempenharem o seu papel, tornando-se vitais na concretização dos meus objectivos, e potenciei várias marcas da minha empresa, a Spoon Eyes, através dum único contacto. Se não existissem várias bases de acção, vários caminhos, tal não seria possível.

Os livros de Chris Guillebeau

Tudo se constrói a um ritmo próprio, apesar do meu sentido de urgência ser tal que não me deixa muita vontade para esperar. Olhando para trás vale a pena. Olhando para o que está feito sinto que o caminho é cada vez mais certo e vejo cada vez mais pessoas a adoptá-lo.
Há pouco tempo comprei um livro do autor que me deu o mote para fazer algo meu no mundo dos negócios. Chris Guillebeau escreveu The $100 Startup que eu li num momento crucial da minha vida. O seu novo livro, Side Hustle, é a minha mais recente aquisição de não-ficção. Já li uma boa parte e sinto de novo aquela vontade de empreender, de fazer algo por mim, pela minha equipa, por aqueles que acreditam em nós.
Não existem caminhos totalmente certos. Existem caminhos mais certos para uns do que para outros. Este é o meu e gosto imenso de partilhá-lo convosco há medida que ele se desenrola.
Tenho em vista vários objectivos para as nossas marcas e, em tempo útil, irei partilhar isso convosco. Faço isto sem nunca perder de vista que há sempre um destino, mas o que conta é a viagem.

Área: cinco razões para não nos limitar-mos

“Já estás a trabalhar na tua área?”

Todos os dias ouvia esta pergunta. Logo eu, que nunca quis apenas uma dinâmica para mim.

Ainda hoje, passados alguns anos, ouço isto. Agora, já é raro, porque habituei as pessoas a olhar para mim como alguém que gosta de ter várias competências e tocar vários domínios do conhecimento.

Definir apenas uma área de trabalho dá origem a coisas nefastas.

Cinco razões para não nos limitar-mos

Primeiro, potencia o desemprego. Numa altura em que os licenciados se multiplicam e as oportunidades de emprego são limitadas, haverá quem fique de fora. Persistir na ideia de só trabalhar na sua área, seja lá o que isso for, é limitar-se.

Segundo, limita a visão. Sempre trabalhei de perto com advogados, enfermeiros, engenheiros, médicos, professores… Em qualquer profissão que escolham, mesmo fora destas, há competentes e incompetentes. Mais, há inteligentes e estúpidos. Sim, há quem seja muito estudioso sem ser muito inteligente. Se preciso fosse, conseguiria provar-vos isso, com todos os factos que isso inclui. Ou seja, há que abrir os horizontes.

Terceiro, o tempo é limitado. A vida não será curta de mais para pensarmos em fazer apenas uma só coisa, sempre?

Quarto, a diminuição de oportunidades. Se te limitares a uma área, a uma visão, as oportunidades serão apenas nesse sentido. Imagina o que poderias fazer em vários sentidos! Desde que sejamos claros, saibamos o que queremos e não ficarmos à deriva podemos ter várias opções e trabalhar nelas seriamente.

Quinto, a diminuição da cultura geral. Acredito seriamente que estar com alguém culto, com quem se pode partilhar uma deliciosa e estimulante conversa, é das melhores coisas da vida. Os mais cultos não falam apenas sobre um tema. Não são quadrados, não impõem a sua opinião e, acima de tudo, gostam de partilhar e aprender sobre o que quer que seja.

A eterna limitação do potencial

Seria bom que este tema acabasse aqui, mas não tenho ilusões. Sei apenas que quem se confina a uma área está a limitar o seu potencial e a deixar de fora a maior parte das estações, paragens, apeadeiros e pistas de aterragem que a vida nos dá. Por outro lado, as oportunidades multiplicam-se nestes locais para aqueles que sabem que há sempre um destino, mas o que conta é a viagem.

As oportunidades são como a chuva


O acaso, a sorte e a frase de Elmer Letterman



O acaso parece ser, num mundo em constante mutação, algo a que merece a nossa atenção. Por vezes, parece que a sorte bafeja apenas alguns dentre nós, deixando outros de lado.

Na verdade, a sensação de sorte é algo que está associado a muita gente, mas é quase sempre possível verificar um facto entre todas essas pessoas: a preparação.

Há muitos anos que uso uma frase de Elmer Letterman, considerado um dos maiores especialistas em vendas de seguros dos EUA: “Sorte é quando a preparação encontra a oportunidade”.

Durante a minha vida, sempre pensei desta forma, sempre me preparei para o que pudesse chegar. Tem resultado, por isso a frase de Letterman não é apenas um grupo de palavras vazio.
As oportunidades são para todos (aqueles que estão atentos)



A vida dá oportunidades a todos. Basta ouvir alguns relatos de pessoas que não atingiram algo que muito desejavam para ver que uma determinada decisão pode ter mudado negativamente a sua vida.

Normalmente, essa decisão foi sobre não fazer algo. Quando fazemos e erramos, aprendemos. Quando não fazemos, além de não errarmos, o que é crucial para a aprendizagem, o caminho futuro fica vedado e nunca saberemos o que poderia acontecer. Se fizermos, sabemos o que aconteceria se tivéssemos ficado no mesmo lugar, sabemos as mudanças que se operaram e sabemos o que corrigir para chegar onde queremos ir.

Tudo se trata de ir, de acordo com os nossos valores e ambições.

É quase como se as oportunidades que esperamos fossem chuva, que cai regularmente, mas que faz com que a maioria não se queira molhar nos possíveis erros do caminho e use um guarda-chuva para se proteger.

Outros há que se deixam molhar, fechando o guarda-chuva e esperando o que aí vem. No entanto, os mais capazes, viram o guarda-chuva ao contrário e, enquanto se expõem ao erro ainda imaginam o que podem fazer com a água que estão a guardar, numa utilização criativa do objecto que trazem consigo.

Nesse momento serão considerados lunáticos, mas mais tarde serão admirados.
Sem saber o destino, mas com objectivo definido



Há cautelas a ter, porque não queremos ser apanhados como o Sr. Oppenheimer, no filme Norman, numa espiral de acontecimentos que não vimos passar e que nos atropelam.

(Aconselho todos a verem este filme escrito e realizado por Joseph Cedar. Protagonizado por Richard Gere, conta a história dum estratega das relações institucionais, muito persistente, que se vê enredado na seu própria teia. É ainda uma visão próxima das comunidades judaicas, que muito nos mostra o talento destas para o negócio e as relações institucionais. Conta ainda com a participação de Steve Buscemi, Michael Sheen e Lior Ashkenazi.)

Norman via as oportunidades, mas reagia a elas por puro vício ou instinto descontrolado, indo sem objectivo que não fosse o de promover contactos, sendo mais tarde apanhado numa teia de tráfico de influências que, imagine-se, ele mesmo tinha criado.

O princípio, contudo, está lá. Muito do que nos acontece é aleatório, mas se jogarmos com as oportunidades, com as cartas que temos na mão, a oportunidade acabará por se mostrar.

Se só o destino valesse a pena, podíamos fechar os olhos e esperar. Porém, é de vital importância que estejamos atentos porque, nos mais estranhos lugares, existem oportunidades tão incríveis que a maioria nem sequer quis acreditar nelas.

Mesmo que não vejamos onde vamos dar, é nos pequenos passos de cada dia que temos de nos concentrar, porque as inevitabilidades surgem e só a consistência as vence. Consistência no percurso, porque há sempre um destino, mas o que conta é a viagem.

Inveja e Medo

A inveja é algo subjacente à existência humana. Há crianças invejosas, adolescentes invejosos e adultos invejosos. Há pessoas que não aguentam sequer ver passar um Ferrari na rua sem afirmar que o dono é ladrão ou traficante. Embora haja, com certeza, traficantes e ladrões que compram Ferraris, há pelo menos a necessidade de dar o benefício da dúvida.

Será justo tirar logo este tipo de conclusões podendo estar do outro lado um investidor, um CEO, alguém realmente bem sucedido?

Por outro lado, existe aquela pessoa que contempla o carro e fica curiosa sobre o caminho que o seu dono fez para o poder ter. Esta é aquela pessoa que gostaria de ter um carro assim, mas não se importa com o que outro tem. Antes, admira o que o outro possa ter feito para lá chegar.

Poderemos chamar a isto inveja? Se inveja é o desejo de ter o que uma terceira pessoa possui, então é. A última, a ser, será baseada na curiosidade.

Assim, poderemos distinguir a inveja inerte com a inveja que move para a acção.

Quanto ao medo, é notório que o verdadeiro e grande invejo é aquele que tem mais medo. É aquele que não quer sequer saber o caminho do sucesso alheio porque acha que não conseguirá atingir algo semelhante.

O curioso interessa-se, pergunta, consulta, luta e crê que consegue. Não tem medo de não conseguir.

O medo, transversal à nossa natureza, é uma defesa cerebral primária. O cérebro usa-a para se proteger. Todos temos medo porque os nossos cérebros se protegem. O curioso combate este medo pelo meio da sua procura incessante dum caminho.

Eu próprio faço isso, como digo no vídeo. Aprender é uma das formas do entusiasmo pela acção suplantar o medo, libertar-nos da inveja inerte e fazer-nos apreciar o percurso daqueles que conseguem o que nós gostaríamos de ter.

O caminho deles deve ser para todos um exemplo, não uma afronta a invejar. Se eles chegaram a esse destino algo fizeram que nós podemos replicar.

Podemos chegar ao mesmo sítio se aprendermos com os seus passos, fase determinante e única, porque há sempre um destino, mas o que conta é a viagem.

Uma venda também é uma viagem

Ir ao encontro das necessidades e desejos do outro é algo meritório. Traz resultados a nível relacional, comercial e, provavelmente, a todos os níveis que vos pudesse enumerar. Contudo, há um facto que exclui: a nossa paixão.

Se a nossa paixão for o lucro, aí não teremos problemas em vender qualquer produto, mas a eficiência será sempre menor do que se procedermos segundo a nossa paixão, tendo como base sólida uma emoção subjacente.

As vendas são trocas ou intercâmbios, exactamente como quaisquer outros que façamos. No fim, a satisfação de ambos os lados é o único sinal duma transacção digna desse nome.

Qualquer venda concretizada sem a preocupação da satisfação mútua será sempre um beco sem saída. Não é isso que se deseja numa relação, seja ela de que tipo for.

Nos negócios como no amor

Seja uma relação amorosa, comercial ou institucional, não é apenas no seu final que se avalia a condição em que se encontram os vários elementos envolvidos. É durante a relação que se percebe isso, que se deve fazer exigências sérias e tomar acções necessárias para que o equilíbrio dinâmico dum amor, duma amizade ou duma venda seja mantido. Nada é definitivo e será sempre impossível agradar a todos, mas isso faz-se num processo contínuo e não num momento espartilhado.

Se assim tivermos a capacidade de proceder continuaremos a ser amados, respeitados ou lucrativos. Acima de tudo, basta não esquecer que um beco sem saída é um fim, um destino, e nós preferimos um caminho frutífero. Porque fins e limites todos temos e sabemos que há sempre um destino, mas o que conta é a viagem.