Guilherme e os Duendes

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Decidi escrever um novo conto de Natal. Comecei por libertar aquelas amarras com que, por vezes, tentamos recriar o realismo. Baptizei as personagens com os primeiros nomes que me surgiram e alguns são bem estranhos. Fledik, Yordik, Taldik e Uldrik. Quatro duendes, ajudantes do Pai Natal, que compõem o coro mais bonito que possam imaginar. Neste conto, cantam para Guilherme, o menino que é a estrela da história.

A capa, muito mais bonita do que aquela que eu teria idealizado, foi criada pela Filipa Cardoso.

Como o Natal não se faz sem amor ao próximo, decidi oferecer metade do valor de capa para o Instituto Português de Oncologia. Faço uso das novas tecnologias e das suas vantagens. Não há intermediários. Há apenas a vontade de ser lido e de dar.

O preço do ebook (livro em formato electrónico) é de 2€, mas o pagamento é decidido pelos leitores. Independentemente do valor que escolheres, apenas 1€ é retido para registo da obra, ISBN e para promover outras actividades relacionadas com a iniciativa.

É uma história pequenina que me deu muito gosto criar. Relê-la, aquando da revisão do texto, foi para mim uma experiência sentimental, apesar de ter sido eu a criá-la e a dar-lhe o fim que tem. O Natal também é isto: criar e sentir.

Para vocês e para o IPO, Guilherme e os Duendes, porque qualquer escritor sabe que há sempre um destino, mas o que conta é a viagem.

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Gustavo Carona: Histórias de pró-actividade alheia

Gustavo Carona

Vai para a décima missão humanitária. Tem trinta e oito anos. Duas frases que mereciam já uma vénia, mas ainda há muito para dizer sobre o Gustavo Carona.

Trabalhei com ele durante pouco tempo, em 2014, por altura da sua passagem na Unidade de Cuidados Intensivos Neurocríticos do Centro Hospitalar de São João, no Porto. Por essa altura, já o Gustavo tinha feito missões humanitárias. No entanto, tenha sido pela curta convivência ou pela falta de tempo de conversa, nunca cheguei a perceber a dimensão do que ele fazia. Não tomei sequer conhecimento das missões a não ser através das redes sociais, já nenhum de nós trabalhava no mesmo sítio.

Quando isso aconteceu, senti que tinha perdido uma oportunidade: saber mais sobre as pessoas que sacrificam o seu conforto, que saem do seio familiar, que abandonam amigos durante largos meses para ajudar desconhecidos em cenários de guerra e desfavorecimento brutal não é para qualquer um.

A oportunidade chega em forma de livro. O Mundo Precisa de Saber. Não, não sou eu que afirmo. É o título do relato e é uma afirmação que o Gustavo faz frequentemente, chamando a atenção para flagelos que deflagram todos os dias pelo Mundo, sem que o “mundo” saiba.

Deixo-vos com o link. Não é meu apanágio escrever sobre um livro que ainda não tenha lido, mas a necessidade do mundo saber é mais forte. Não é pior se outros souberem primeiro, desde que todos saibam.

Voltarei a este livro mais tarde, com mais tempo e conhecimento de causa, mas este texto serve também de agradecimento. O mundo seria um lugar muito menos gracioso e bonito se não existisse o Gustavo. Se não existissem os Médicos Sem Fronteiras. Se não existissem todos aqueles que prescindem do que o Mundo tem para dar para poderem dar ao Mundo aquilo que ele mais precisa.

Este texto é, ainda, um abraço feito de palavras de força, para que às mãos destes heróis as atrocidades que nos auto-infligimos enquanto humanidade possam ser mais suportáveis para aqueles que as sofrem.

Gustavo Carona é médico e escritor. Publicou 1001 Cartas para Mossul, 1001 Cartas de Mossul e O Mundo Precisa Saber. Através da acção humanitária, viaja para lutar por um Mundo melhor, para melhorar a viagem dos menos favorecidos.

Porque há sempre um destino, mas o que conta é a viagem.

Link Wook do Gustavo Carona e dos seus livros

Fascismo, Um Alerta ( de Madeleine Albright)

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A política tem má fama. A culpa é, obviamente, de alguns políticos. Enquanto ciência, a política não pode ser ser negligenciada. É algo inerente à comunidade que todos constituímos. Fazemos política em casa quando estabelecemos regras de comportamento para os filhos; fazemos política quando negociamos algo com o nosso cônjuge; fazemos política todos os dias quando aceitamos algum incentivo no nosso emprego. Nas nossas empresas, fazemos política quando determinamos o caminho da nossa visão, quando cumprimos um objectivo a que nos propomos ou quando chamamos um funcionário à razão.

Todos somos políticos. Ainda assim, alguns têm o péssimo hábito de repudiar a política como se de algo venenoso se trata-se. Essa atitude passiva, que equivale aproximadamente ao silêncio durante uma conversa que não pode ser interrompida, está a criar um caminho de dissabores já percorridos na História.

A discussão política propagou-se em Portugal devido às eleições brasileiras. Jornais, como o Expresso, manifestaram-se claramente quanto à sua posição. Bolsonaro despertou a paixão de uns e o arrepio de outros através da sua inequívoca razão. Ou daquela que ele acha ter, pelo menos.

Defendo a democracia como uma solução politicamente humana de resolver os problemas nacionais e mundiais. Não gosto de ditadores nem de figuras que dizem usar a voz do povo querendo estar acima deste. Não gosto de desaforos políticos ou de gritos histriónicos que alimentam os tablóides.

Manifestei-me publicamente contra a eleição do actual Presidente do Brasil. Como escrevi neste  artigo, a evolução da sua persona política recorda-me assustadoramente outras que deram ao mundo uma face cheia de cicatrizes.

Numa das minhas habituais viagens, comprei o livro de Madeleine Albright intitulado Fascismo, Um Alerta. A primeira mulher Secretária de Estado dos Estados Unidos da América, vítima indirecta do fascismo e actual professora universitária escreve-nos sobre a sua preocupação. Não é um ensaio extremamente técnico. É uma colecção de dados que se consubstanciam entre si e que provam que o fascismo é algo que teve início mas que não terá fim.img_9941

Durante a leitura tive sensações pouco comuns. Concordância plena em algumas passagens, preocupação estimulada por factos que se somam, esperança de que os sinais sejam lidos conforme no livro. Encontrei nestas páginas ideias que gostaria que a memória não perde-se, como manifestei neste meu discurso.

Madeleine não nos fala de Bolsonaro, mas fala muito sobre Donald Trump. Divide-o dos absolutamente fascistas, mas descreve as características que o Presidente dos Estados Unidos possui que o aproximam dessa corrente. Considera-o legítimo, mas refere-se negativamente ao desrespeito que nutre pelas instituições democráticas.

Madame Secretary não faz dos políticos com comportamento desviantes uma amálgama. Diferencia-os com a nitidez de quem conviveu com muitos e de quem ouviu algumas verdades das suas bocas, apesar de deturpadas em nome do poder.

Mussolini, Hitler, Chávez, Maduro, Erdogan, Putin, Trump e a dinastia Kim da Coreia do Norte são apenas alguns dos líderes dissecados nas suas características quer positivas quer perigosas (sendo, algumas delas, coincidentes).

Um livro claro, lúcido e fruto da experiência política de quem ainda hoje frequenta a esfera do poder com o conhecimento do seu efeito aditivo e corruptor.

Um livro que nos mostra que a humanidade tem um destino que desconhecemos, mas que é também através da política (e da memória) que devemos construir o seu caminho.

Para o Homem há sempre um destino, mas o que conta é a viagem.

Voar não mata

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Quando a vida se transforma as dúvidas chegam até nós sob a forma de perguntas directas, mas a mudança que se operou não pode ser objectivada apenas em poucas respostas. Ainda assim, quem insiste em perceber uma tomada de decisão que resultou, uma batalha vencida ou um objectivo concretizado, não os vai perceber. É no detalhe e no processo, na consistência e na paciência que se encontra uma das maiores forças motrizes da aprendizagem.

Quando me perguntam se não me canso de viajar de avião a resposta é sempre negativa. Para mim, além dum prazer supremo, o voo não é um tempo morto. Faça dois voos num dias, vários numa semana ou apenas dois num mês, o entusiasmo é parecido e a atitude perante o tempo em que estarei confinado ao avião é semelhante.

Confinado? A escolha é propositada. Honestamente, apenas o corpo está confinado a um espaço que, graças aos programas de fidelidade das companhias, nem sequer é tão desconfortável quanto poderia ser. A mente, por seu lado, vagueia na palavra escrita, na imagem cinematográfica ou em notas musicais flutuantes. E no sono!

Tenho apreciado algumas obras-primas que acabam por se tornar sucessos mundiais, como La Casa de Papel, e descoberto enormes pedaços de entretenimento culturalmente estimulante que passam quase despercebidos, como vários dos últimos livros que li – Lire de Bernard Pivot e Cécile Pivot, Felices de Elsa Punset, Uma Biblioteca da Literatura Universal de Hermann Hesse, entre muitos outros que fazem querer que tenho a pontaria cada vez mais afinada… – e filmes surpreendentes como Sztuka Kochania, sobre a vida da sexóloga Michalina Wislocka, Primeiro Mataram o Meu Pai, de Angelina Jolie, ou 7 Años.

Poderia dispor estas intrusões num texto imenso, mas deixemos que este seja apenas o aperitivo. Qualquer refeição deve ser degustada e não apenas digerida, dar prazer enquanto nutre, porque nesta mesa cultural que se mostra tão abundante encontramos a metáfora da vida e das suas opções. Nela também há sempre um destino, mas o que conta é a viagem.

A Lei de Pareto e o serviço

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Segundo a Lei de Pareto, 80% dos clientes geram 20% das receitas ao passo que 20% dos clientes geram 80% das receitas. Esta Lei, segundo os seus apoiantes, aplica-se a praticamente todas as situações e sempre na proporção de 80/20.

Por isso, quando iniciei todas as minhas actividades de negócio e quando enfrentei todos os arautos da desgraça que afirmavam, peremptoriamente, que a concorrência é feroz, numerosa e impossível de bater, lembrei-me e defendi-me (como se precisasse ou tivesse alguma prova a dar) da relação entre a Lei de Pareto e o serviço.

20% das empresas fica com 80% dos clientes. Estas são as que prestam os melhores serviços. Isto significa que 80% das empresas está a manter-se, apenas, com o mínimo indispensável e, com cuidado, atenção e um serviço de qualidade são facilmente suplantadas.

Em suma, relacionando a Lei de Pareto com a prestação do serviço, para se atingir o mercado com eficiência basta localizar a nossa qualidade nos 20% superiores. Desta forma, estaremos à frente de 80% dos nossos concorrentes e a usufruir da grande maioria dos rendimentos do mercado em que nos aplicamos.

Até no que toca a leis, clientes e rendimentos há sempre um destino, mas o que conta é a viagem.

Natal

Natal Spoon Eyes Crop

A época natalícia é fértil em várias dinâmicas. Em termos sociais, motivacionais e, principalmente, económicos, o Natal é um mundo novo a cada ano, pleno de descobertas e oportunidades.

Enquanto proprietário de vários negócios, dentro do Grupo Spoon Eyes, é um prazer ver os clientes deixarem as suas ambições nas nossas mãos, proporcionando-nos a oportunidade de oferecer mais do que um produto ou serviço. A experiência é, sempre, uma das partes determinantes de cada negócio.

Em Portugal, por motivos culturais, somos propensos a fazer negócio à mesa e o Natal é, por definição, uma festa que também se faz na partilha duma refeição copiosa. Até neste pormenor esta época nos facilita a concretização de objectivos.

Para nos estimular ao consumo, enquanto clientes, os descontos multiplicam-se e as mensagens das marcas aumentam a intensidade. Tudo para que os clientes os procurem e se satisfaçam, ou aos seus, com os presentes que todos gostamos de receber.

No Grupo Spoon Eyes, que vos apresentarei em pormenor nesta viagem da blogosfera, temos ao dispor dos nossos clientes uma panóplia de propostas que, ao abrigo de valores de marcas diferentes, mostram àqueles que nos encontram o compromisso da satisfação e do prazer.

Fotografia, vídeo, actividade física, marketing, moda, drone, livros, música…

Dentro deste conjunto de conceitos encerram-se a maioria das nossas propostas e concretiza-se o nosso potencial. Com esforço, dedicação e pensamento virado para o cliente. Tudo o que fazemos é criado ao nosso gosto em consonância com aqueles que gostam de nós.

A mensagem mais importante que o Natal tem para nos dar vai muito além de dinheiro, compras ou luxos. É uma mensagem de paz, plenitude e prazer entre aqueles que amamos. Na Spoon Eyes, usufruimos de todos os momentos, de todos os sorrisos e agradecimentos dos nossos clientes como se duma festa se tratassem porque, afinal, existimos para isso. Concretizamos sonhos, oferecemos estilo, partilhamos emoções e recordações e gravamos na nossa memória cada passo sustentado na procura do sucesso, lado a lado com cada um dos nossos clientes.

Nunca esquecemos que os que nos procuram são mais do que clientes; são pessoas no seu todo. Nunca esquecemos que o Natal, mais do que feito de dinheiro, é feito pela partilha entre pessoas. Nunca nos esquecemos que os nossos erros servem para melhorar, cada dia mais, porque somos pessoas. Nunca desistimos de ser melhores a cada momento que passa, porque somos muito determinados enquanto pessoas.

Por tudo isto, obrigado!

A nossa felicidade é fruto da vossa confiança.

E não se esqueçam: há sempre um destino, mas o que conta é a viagem!

Eu prefiro Kona

Marcas

Qualquer atividade tem valor, se o souber criar. É aquilo que providenciamos ao cliente que conta, seja a qualidade dum produto ou a excentricidade duma experiência. A qualidade e a excelência são valor que o cliente apreciará e pelo qual estará disposto a pagar.

Para carimbar esse valor uniformemente criam-se marcas. O valor oferecido pela empresa ao cliente começa a ganhar dimensão e reconhecimento e tem um nome associado: a marca.

Kauai vs. Kona

É esse nome que será partilhado no incomparável boca-a-boca. Podemos lembrar-nos imediatamente de várias marcas e do seu valor planetário, mas gostaria de vos falar do próximo Hyundai Kauai. Prestes a sair em Portugal, foi baptizado de forma diferente no nosso país, em relação ao seu nome original. Inspirado numa ilha do Havai, o seu verdadeiro nome pelo mundo fora é Hyundai Kona.

Hyundai Kona

Lá fora é Kona, em Portugal é Kauai

Facilmente se percebe qual foi a preocupação da Hyundai Portugal ao decidir apelar à mudança de nome. A confusão que criaria com algumas chalaças e associações livres seria estranha.

Buzz e copywriters

No entanto, o buzz que isso tem criado já os beneficia. O facto de terem trocado Kona por Kauai ficará na história recente dos veículos e torna-os mais relevantes em termos digitais porque será tema de conversa. Para mim, trata-se duma enorme perda…

Se a marca gostasse mais do primeiro nome e não se preocupasse realmente com isto, poderia ter contratado um humorista e ter as vendas exponenciadas. Um bom copywriter poderia utilizar estas sugestões:

“Todos querem comprar Kona à Hyundai”.

“Quando entro no concessionário da Hyundai só penso em Kona”

“Não há melhor do que Kona”

“Troquei o meu antigo Hyndai por Kona”

“É fácil ter Kona. Basta ir à Hyundai”

“Pai, quero Kona. Vai à Hyundai, filho”

O meu smartphone sempre conectado com Kona

“O meu smartphone sempre conectado com Kona”

Além disso, segundo meu irmão Francisco, é muito mais másculo andar de Kona do que de Kauai. Mais do que uma questão de significados ou associações é mesmo uma questão de sonoridade. Kona enche a boca (salvo seja) e Kauai parece um débil gemido.

Uma oportunidade impagável

O mais importante perceber é que a marca coreana pode ter ganho uma enorme oportunidade de propagação desta forma, sem saber. Em Portugal, querem desperdiçar um dos mais belos acasos de geolocalização de marca.

O valor proporcionado pela marca através dos seus carros já é reconhecido pelos seus clientes e potenciais compradores, pelo que um pouco de barulho de fundo poderá até ajudar nas vendas. Não existe má publicidade, como dizia P. T. Barnum.

Afinal, mesmo os atalhos fortuitos ou as vielas do desentendimento fazem parte do nosso caminho. Neste caso a Hyundai bem podia ter esquecido o resultado final e lembrar-se que dentro dum carro, mesmo com nome peculiar, há sempre um destino mas o que conta é a viagem.