Turismo de Portugal

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O site www.visitportugal.com venceu o prémio de Melhor Site Oficial de Turismo Mundial dos World Travel Awards e o organismo responsável pela promoção deste sector nacional saiu vitoriosa na categoria de Melhor Organismo Oficial de Turismo Mundial.

Portugal mostra-se ao Mundo com uma imagem algo diferente daquela com que por vezes nos caracterizamos. Por vezes, prolongamos os estereótipos fazendo deles profecias auto-concretizáveis. Acomodamo-nos à imagem que criamos de nós mesmos e vivemo-la internamente.

Quando somos sujeitos à avaliação de terceiros os factos são diferentes. Somos vistos como um povo de trabalho, de superação pessoal, de aculturação positiva em comparação com emigrantes de outras origens.

Estes prémios valem mais do que as categorias a que dizem respeito. Valem pela atestação fidedigna, feita prova, de que somos muito mais do que pensamos ser.

Numa conversa casual, por altura de uma das minhas viagens, uma senhora afirmava-me que tinha adorado o sul do nosso país, que tinha pena de ainda não conhecer o norte e que alimentava o sonho de viver em Portugal. Porque temos mar, temos bom clima, temos qualidade de vida, somos hospitaleiros, temos uma das melhores gastronomias do mundo, temos preços baixos para o nível de vida dos estrangeiros e temos muita História. Ouvir tudo isto da sua voz, numa situação que não exigia qualquer tipo de elogio por simples simpatia, despertou em mim o orgulho de pertencer à nossa gente.

Houve uma altura em que, para além de pensarmos que a galinha da vizinha era melhor do que a nossa, tínhamos mau marketing. Agora, o único passo que nos resta é repetir em surdina que as galinhas alheias não são melhores, são apenas diferentes.

O marketing do Turismo português ganha pelos seus argumentos simples. Não precisamos de elaborações grandiosas,  basta mostrar o que sempre tivemos. Basta demonstrar como somos.

Se isso é suficientemente bom para quem nos vê do lado de fora devia ser motivo de orgulho para nós.

Somos um destino de eleição, mas temos um caminho a percorrer enquanto portadores da nossa identidade nacional.

Há sempre um destino, mas o que conta é a viagem.

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Preconceitos

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Avião como transporte público

Ultimamente, a minha vida tem sido feita a viajar. Já bati a marca dos cinquenta voos e rapidamente baterei a dos cem. A experiência é extraordinária mas, tendo em conta que o avião é, agora, mais utilizado por mim do que o metro ou o autocarro, há várias descobertas a relatar, factos de que nunca antes me tinham falado.Em primeiro lugar, a desorganização. Há aeroportos realmente desorganizados em cidades centrais da Europa. Há atrasos, confusões, adiamentos e antecipações e vários problemas que se tornam totalmente visíveis para os viajantes frequentes. Neste pormenor, tenho sempre dificuldade em encontrar quem consiga bater o desempenho do Aeroporto Francisco Sá Carneiro.

Meu querido Portugal

Se nisto somos melhores há, por outro lado, um detalhe que é irritante. Viajar com portugueses pode tornar-se doloroso. Talvez pela falta de hábito, menor formação ou apenas um pouco de civilização a menos, podemos encontrar-nos numa situação em que o nosso companheiro do lado não partilha o braço da cadeira, estica as pernas para o nosso espaço, toca-nos sem pedir desculpa, fala alto quando dormimos, etc. No fim, há sempre palmas.

Dói dizer isto, porque o nosso povo é adorável e genuíno, mas ainda tem muito a aprender em relação ao respeito pelos outros dentro dum avião.

Generalização vs diferença

Claro que isto é uma generalização e isso leva-nos a outro preconceito. Quando chegamos a um país com muitos emigrantes portugueses podemos ter duas garantias: todos nos considerarão grandes trabalhadores, à partida, mas também pouco diferenciados, pouco ambiciosos e, por vezes, menos inteligentes.

Como todos sabemos, nem todos somos assim. Há portugueses muito diferenciados, muito capazes, muito inteligentes e, pelo contrário, também há portugueses preguiçosos.

Este tipo de preconceitos pode criar-nos situações estranhas que, em ambiente confinado, como um avião, são tão ou mais constrangedoras que a realidade que relato acima.

Quebrar barreiras

Em suma, temos de ter a consciência de que os preconceitos também sofrem de geolocalização. Além dos padrões culturais, a percepção que algumas gerações anteriores criaram pode influenciar o tratamento que temos hoje. Se não nos rendermos a esses factores exógenos seremos claramente mais proativos e, em consequência, mais objectivos concretizaremos.
Caso deixemos que isso nos afecte teremos o imediato prejuízo pessoal de ficarmos pelo caminho e perpetuaremos essas ideias generalizadas que tanto nos podem incomodar.
Temos de dar abertura aos outros para os percebermos como pessoas e não como cidadãos dum país ou representantes duma cultura. É a interação que dita a reciprocidade, pois a abertura que dermos, grosso modo, receberemos. Também aqui há um objectivo, um fim, mas é o caminho interpessoal que mais importa. Afinal, também entre pessoas há sempre um destino, mas o que conta é a viagem.

Madeirenses, gays e emigrantes

O que têm de semelhante os madeirenses, os gays e os emigrantes?

Excluindo o facto de que existem pessoas que não são nenhum dos três e outras que são os três ao mesmo tempo, claro.

Madeirenses

Se nos concentrarmos na ilha da Madeira, apercebemo-nos duma rara concentração de pessoas reconhecidas à escala mundial, como Cristiano Ronaldo e Fátima Lopes.

Em termos de estudos e oportunidades, os madeirenses podiam submeter-se ao handicap de viverem numa ilha, de não terem a mesma oferta, das oportunidades não lhes serem facultadas equitativamente. Isso obriga-os a tomar uma decisão e, muitas vezes, a procurar o seu caminho noutro lugar.

Gays

Os homossexuais conseguiram, ao longo dos anos, atingir a mais do que devida tolerância da sociedade e, enquanto isso, foram-se protegendo, chegando mesmo a criar um lobby de promoção ao seu desempenho que não escapa aos mais atentos. Também eles podiam considerar-se desfavorecidos por terem de lutar contra interesses e preconceitos tão enraizados na nossa cultura, mas acabam por se assumir como um grupo de poder e com uma força que essas adversidades, quando olhadas superficialmente, não explicariam.

Emigrantes

Por últimos, os emigrantes. Imensos portugueses partiram e partem para os quatro cantos do mundo. Antes simples trabalhadores que se lamentavam da falta de ajuda do Governo e que reivindicavam direitos e mais direitos, esquecendo que o seu papel também era importante, regressam a casa, um dia, com os bolsos, o ânimo e a realização cheios. Lá fora, enfrentaram uma nova língua, uma nova cultura, um novo sistema fiscal, solidão, distância e… sucesso.

Deram a volta às adversidades, lutando.

Zona de Conforto

Estes três grupos fizeram o que a todos seria útil: saíram da zona de conforto. Procurando além dos seus limites, encontraram novas oportunidades, novos objectivos e um caminho melhor para as suas ambições. Ganharam mais motivação, mais empenho, mais garra e chegaram mais longe.

Quando é que vais deixar a tua zona de conforto? É que nem precisas de ser gay, madeirense ou emigrante. Basta quereres.

Há pessoas a que a viagem fortalece, porque são os obstáculos com que lutamos que fazem de nós o que somos. O destino parece fácil quando não conhecemos o percurso. Por outro lado, pode ser assustador.

No entanto, o importante será sempre ir. Porque há sempre um destino, mas o que conta é a viagem.