Anitta e a ética de trabalho

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A primeira vez que a Netflix me surpreendeu com a vida de um músico foi através do documentário sobre Keith Richards. Por detrás da capa de rockeiro, fumador compulsivo e antigo (?) consumidor de drogas, existe um homem sensível, que pondera a vida segundo os sentimentos e que ama o processo criativo como poucos. Escrevi sobre o seu documentário no artigo Keith Richards e o rock sentimental.

Nos últimos dois dias surpreendi-me de novo e, desta feita, com algo que diz respeito ao Pista de Aterragem.

Nasceu Larissa em Honório Gurgel, uma zona pobre do Brasil. Hoje, é dona de um império musical e atingiu vários tops mundiais com músicas cantadas em português, espanhol e inglês. Partiu do funk brasileiro. Hoje move-se facilmente entre vários géneros musicais.

Anitta já não é apenas a rapariguinha ambiciosa que nasceu em Honório, mas também. É uma marca de sucesso mundial, desejada por muitos, com um toque de Midas musical que transforma tudo em êxito.

Nunca fui um entusiasta da Anitta, mas a minha perspectiva mudou com o documentário que a Netflix produziu sobre a estrela brasileira. Não se trata de uma questão de gostos, porque o que é mostrado no documentário vai para além da pura opinião.

Anitta é um exemplo de ética de trabalho. Cria bom ambiente dentro da sua equipa, mas é exigente com todos os que a rodeiam e diligente em todos os seus compromissos. Com vinte e cinco anos a forma como lidera toda a sua entourage é surpreendente. As opiniões e as lágrimas de felicidade de alguns dos seus colaboradores mostram o poder de influência que Anitta tem.

Ao mesmo tempo que mantém a atitude provocadora e sensual, a artista não se coíbe de doutrinar os seus fãs sobre como devem proceder. Tudo porque também ela tem origens pouco favorecidas e conseguiu chegar até ao estrelato à custa do seu sacrifício.

É inspiradora a forma como se movimentou desde cedo para atingir os seus objectivos. Chegou a dar concertos em cima de grades de cerveja com amigas que ainda hoje inclui em alguns dos seus trabalhos.

Ao longo do lançamento da sua campanha musical Checkmate, Anitta desenvolve relações de afinidade e cumplicidade com produtores musicais de topo que acabam também por se surpreender com a facilidade de trabalhar em conjunto com a brasileira.

Apesar da sua jovem idade, Anitta fala fluentemente as três línguas em que canta, o que não é nada comum para um brasileiro com as suas origens. O seu discurso sobre o caminho percorrido é elaborado e as saídas jocosas sobre o facto do funk brasileiro ser considerado, cito, “música para burros” são utilizadas amiúde.

A sua dependência do trabalho acabou por custar-lhe o casamento. Isso prova talvez duma forma ainda mais contundente o compromisso que Larissa tem com Anitta e o sucesso. A forma presente como gere o marketing, a ideia de lançar um vídeo musical de Checkmate por mês, o videoclip transmitido em directo no dia do seu aniversário com uma produção fora de série e a colaboração com nomes como J Balvin, Alesso, Poo Bear, entre outros, é alucinante.

Não consigo criticar o facto de ser workaholic. Revejo-me de alguma forma na sua forma de querer estar presente em tudo e até na maneira aparentemente descontraída com que aparenta lidar com toda a pressão.

O documentário mostra isto e muito mais em apenas seis episódios de meia hora, mas foi o suficiente para mudar a percepção que tinha de Anitta. Em vários momentos, a semelhança com a atitude minuciosa de Michael Jackson em This Is It salta à vista. Não há detalhe que seja deixado ao acaso.

A viagem de Anitta já conta com vários marcos e quem com ela trabalha afirma que não há destino que a possa limitar. O que é tomara ser tomado como exemplo, porque há sempre um destino, mas o que conta é a viagem.

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Black Friday

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O termo Black Friday foi talhado como referência a uma crise financeira. A especulação do preço do ouro no final do século XIX, nos Estados Unidos, deu origem à desordem negra no mundo financeiro do País. A História prova-nos recorrentemente que é cíclica, certo?

Mais tarde, associou-se a expressão à passagem do vermelho ao preto (“from red to black”) no Thanksgiving, cores usadas na contabilidade dos retalhistas para representar o prejuízo e o lucro, respectivamente.

Houve ainda um período onde Black Friday era realmente negra devido à afluência de compradores histéricos e do aumento de criminalidade associada às multidões.

A reinvenção moderna deste dia relaciona-se mais com a imagem do lucro do que com os problemas apontados por outras versões, um toque de Midas comunicacional que permitiu associar os saldos absurdos a algo que poderia ter-se mantido como uma memória colectiva negativa.

Será que, afinal, a Black Friday deixou de ser tão negra?

Para as contas dos comerciantes, como antes, o negro é uma boa cor. Neste dia, ou período no caso das lojas que alargam o prazo a todo o fim-de-semana, nada melhor do que uma multidão que procura os seus produtos de forma despreocupada e apressada. É saudável e garante o início do período natalício que salvará a contabilidade até Março do ano seguinte.

Se analisarmos o fenómeno à luz de hoje e com um pouco mais de cepticismo o que o panorama  nos oferece é algo mais psicológico do que efectivo.

Todos temos acesso às mesmas notícias e aos comunicados da defesa do consumidor que alertam para preços iguais ou mais altos quando comparados com outras datas. É aqui que o efeito de grupo (ou de manada, se formos mais específicos e mais agressivos) entra em cena.

Abre-se o pano e eis a ribalta das lojas apinhada de gente que quer prioridade na altura da escolha dos produtos a preço de saldo. Já não importa que os preços não sejam assim tão baixos ou que tenham sido artificialmente aumentados no dia anterior para baixarem na Black Friday. O que mais interessa é chegar primeiro, participar da loucura, estar presente no evento mundial em que o dia se tornou.

Sabemos que o impulso é o maior inimigo das contas pessoais. Não podemos fugir dele, porque havemos de senti-lo mais cedo ou mais tarde, mas podemos controlá-lo.

A única forma séria de o fazer sem ficar alienado da febre e enclausurado em casa é procurar apenas os produtos que seguimos há algum tempo. Um casaco que desejamos há meses, aquela câmara fotográfica que andamos a namorar ou o jogo de vídeo que todos já têm mas cujo preço de lançamento achámos caro. Já conhecemos os preços normais desses produtos, por isso, se a promoção prometida existir na realidade é fácil saber se estamos a comprar bem.

Corremos o risco do preço ser igual e de ainda assim adquirirmos o produto. Uns são mais resistentes do que outros, mas ninguém é imune à manada.

Isto dito, não há que penalizar a Black Friday. Tem o nome perfeito. É negra no estacionamento livre, na confusão e, potencialmente, nas carteiras dos consumidores. É negra para os comerciantes se o negro for sinónimo de contas douradas. É negra porque percebemos quão pouco reflectem alguns quando a manada os impulsiona.

Faz parte das nossas viagens de consumidores. Devemos usufruir dela sem remorços e para isso tem de haver algum controlo.

Afinal, há sempre um destino, mas o que conta é a viagem.

 

Métricas

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Ser trabalhador é bom. Ser consistente é óptimo. Cumprir objectivos é sensacional. Mas há perigos nas métricas.

Quando estabelecemos aquilo que queremos atingir fazemo-lo de forma fácil. A ideia pode estar já na nossa cabeça, percorrer o nosso inconsciente e a decisão acaba por ser imediata. A colocação em prática é sempre a parte mais difícil. Sabemos que temos de ter força para começar e aumentá-la para manter os nossos padrões. É por isso que nos servimos de métricas.

Para escrever um livro podemos definir o número de palavras; para vender um produto definimos o número de vendas que nos dará lucro; para viajar definimos o número de cidades que queremos ver e, nelas, os monumentos que queremos visitar.

E se tal não se der? É aí que entra a angústia. A sensação de ter falhado. Não damos espaço para o improviso, para o expontâneo. Não cedemos à novidade e podemos, por isso, perder até algumas das maiores vantagens de sairmos do sítio.

Ter métricas não é, por si só, desvantajoso. Pelo contrário, elas podem ajudar-nos a chegar onde queremos.

Ser dependente das métricas, isso sim, é péssimo. Devemos fazer o que queremos, o que gostamos, como gostamos e no tempo que nos aprouver. Podemos ter de cumprir prazos, é certo, mas devemos cumpri-los à nossa maneira.

Não há fórmula que se aplique a nós. Existem apenas os nossos meios, as nossas ideias.

É preciso concretizar, mas também é preciso ser livre.

Afinal, há sempre um destino, mas o que conta é a viagem.

O poder da preparação

Todos conhecemos aquele conselho que nos pode ser dado por qualquer familiar ou amigo: atenção às consequências dos teus actos. 

Por outro lado, existe uma ligeira tendência em não acreditarmos que aqueles que estão ao nosso lado possam ter interesses pessoais que se sobreponham a relação. 

Todos conhecemos, ainda, situações de simbiose, parecerias e sociedades que acabam com famílias e patrimónios de um dia para o outro. Separam-se aqueles que antes colaboravam e a relação esfria-se ao ponto de não interessar a nenhum dos dois lados o caminho do outro.

Esta é a história duma vitória em tribunal que muito nos deu que fazer. Uma adversidade que provou um ponto de vista que eu tenho desde sempre: a preparação é algo que costuma resultar em vitórias. Elmer Letterman disse uma frase que costumo usar no meu e-mail. “ Sorte é quando a preparação encontra a oportunidade.” Foi exactamente isso que ficou provado há poucos meses com aquela vitória.

Mas afinal o que tem de tão saboroso ganhar um processo judicial? A história. É uma história de manipulação, orgulho, desrespeito, oportunismo. Tem todos os traços típicos de série: vários episódios, envolvimento policial, corrupção, políticos surdos, morte, investigação provocativa…

O cuidado com que nos preparamos para o processo é algo impossível de descrever. A mim dá-me imenso prazer ler e procurar, pelo que houve um lado de prazer em procurar todas as subtilezas que tinham de ser apresentadas como prova da nossa inocência. 

Estava preparado e costumo estar um passo à frente. 

Foi, também por isto, uma experiência que nos deu mais força para continuar. Temos os nossos negócios, as nossas carreiras e, acima de tudo, os nossos sentimentos e valores. Respeitamos isso acima de tudo e queremos que todos respeitem também. 

O vídeo que se apresenta neste post é exactamente a celebração dessa vitória contra o desrespeito pelo trabalho digno que cada um faz. 

Sabemos que é difícil remar contra a corrente. Foi o que fizemos por sermos menos em número. Não basta força de braços para os remos, é preciso força mental para quando nos parece que estamos no mesmo sítio. 

Sim, é muito difícil remar contra a corrente, mas apenas aquele que o fazem podem beber da água mais fresca da fonte.

Enquanto isso, devemos divertir-nos com a paisagem das margens, para não custar tanto. Afinal, há sempre um destino, mas o que conta é a viagem.

 

 

A Lei de Pareto e o serviço

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Segundo a Lei de Pareto, 80% dos clientes geram 20% das receitas ao passo que 20% dos clientes geram 80% das receitas. Esta Lei, segundo os seus apoiantes, aplica-se a praticamente todas as situações e sempre na proporção de 80/20.

Por isso, quando iniciei todas as minhas actividades de negócio e quando enfrentei todos os arautos da desgraça que afirmavam, peremptoriamente, que a concorrência é feroz, numerosa e impossível de bater, lembrei-me e defendi-me (como se precisasse ou tivesse alguma prova a dar) da relação entre a Lei de Pareto e o serviço.

20% das empresas fica com 80% dos clientes. Estas são as que prestam os melhores serviços. Isto significa que 80% das empresas está a manter-se, apenas, com o mínimo indispensável e, com cuidado, atenção e um serviço de qualidade são facilmente suplantadas.

Em suma, relacionando a Lei de Pareto com a prestação do serviço, para se atingir o mercado com eficiência basta localizar a nossa qualidade nos 20% superiores. Desta forma, estaremos à frente de 80% dos nossos concorrentes e a usufruir da grande maioria dos rendimentos do mercado em que nos aplicamos.

Até no que toca a leis, clientes e rendimentos há sempre um destino, mas o que conta é a viagem.

Natal

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A época natalícia é fértil em várias dinâmicas. Em termos sociais, motivacionais e, principalmente, económicos, o Natal é um mundo novo a cada ano, pleno de descobertas e oportunidades.

Enquanto proprietário de vários negócios, dentro do Grupo Spoon Eyes, é um prazer ver os clientes deixarem as suas ambições nas nossas mãos, proporcionando-nos a oportunidade de oferecer mais do que um produto ou serviço. A experiência é, sempre, uma das partes determinantes de cada negócio.

Em Portugal, por motivos culturais, somos propensos a fazer negócio à mesa e o Natal é, por definição, uma festa que também se faz na partilha duma refeição copiosa. Até neste pormenor esta época nos facilita a concretização de objectivos.

Para nos estimular ao consumo, enquanto clientes, os descontos multiplicam-se e as mensagens das marcas aumentam a intensidade. Tudo para que os clientes os procurem e se satisfaçam, ou aos seus, com os presentes que todos gostamos de receber.

No Grupo Spoon Eyes, que vos apresentarei em pormenor nesta viagem da blogosfera, temos ao dispor dos nossos clientes uma panóplia de propostas que, ao abrigo de valores de marcas diferentes, mostram àqueles que nos encontram o compromisso da satisfação e do prazer.

Fotografia, vídeo, actividade física, marketing, moda, drone, livros, música…

Dentro deste conjunto de conceitos encerram-se a maioria das nossas propostas e concretiza-se o nosso potencial. Com esforço, dedicação e pensamento virado para o cliente. Tudo o que fazemos é criado ao nosso gosto em consonância com aqueles que gostam de nós.

A mensagem mais importante que o Natal tem para nos dar vai muito além de dinheiro, compras ou luxos. É uma mensagem de paz, plenitude e prazer entre aqueles que amamos. Na Spoon Eyes, usufruimos de todos os momentos, de todos os sorrisos e agradecimentos dos nossos clientes como se duma festa se tratassem porque, afinal, existimos para isso. Concretizamos sonhos, oferecemos estilo, partilhamos emoções e recordações e gravamos na nossa memória cada passo sustentado na procura do sucesso, lado a lado com cada um dos nossos clientes.

Nunca esquecemos que os que nos procuram são mais do que clientes; são pessoas no seu todo. Nunca esquecemos que o Natal, mais do que feito de dinheiro, é feito pela partilha entre pessoas. Nunca nos esquecemos que os nossos erros servem para melhorar, cada dia mais, porque somos pessoas. Nunca desistimos de ser melhores a cada momento que passa, porque somos muito determinados enquanto pessoas.

Por tudo isto, obrigado!

A nossa felicidade é fruto da vossa confiança.

E não se esqueçam: há sempre um destino, mas o que conta é a viagem!

Eu prefiro Kona

Marcas

Qualquer atividade tem valor, se o souber criar. É aquilo que providenciamos ao cliente que conta, seja a qualidade dum produto ou a excentricidade duma experiência. A qualidade e a excelência são valor que o cliente apreciará e pelo qual estará disposto a pagar.

Para carimbar esse valor uniformemente criam-se marcas. O valor oferecido pela empresa ao cliente começa a ganhar dimensão e reconhecimento e tem um nome associado: a marca.

Kauai vs. Kona

É esse nome que será partilhado no incomparável boca-a-boca. Podemos lembrar-nos imediatamente de várias marcas e do seu valor planetário, mas gostaria de vos falar do próximo Hyundai Kauai. Prestes a sair em Portugal, foi baptizado de forma diferente no nosso país, em relação ao seu nome original. Inspirado numa ilha do Havai, o seu verdadeiro nome pelo mundo fora é Hyundai Kona.

Hyundai Kona

Lá fora é Kona, em Portugal é Kauai

Facilmente se percebe qual foi a preocupação da Hyundai Portugal ao decidir apelar à mudança de nome. A confusão que criaria com algumas chalaças e associações livres seria estranha.

Buzz e copywriters

No entanto, o buzz que isso tem criado já os beneficia. O facto de terem trocado Kona por Kauai ficará na história recente dos veículos e torna-os mais relevantes em termos digitais porque será tema de conversa. Para mim, trata-se duma enorme perda…

Se a marca gostasse mais do primeiro nome e não se preocupasse realmente com isto, poderia ter contratado um humorista e ter as vendas exponenciadas. Um bom copywriter poderia utilizar estas sugestões:

“Todos querem comprar Kona à Hyundai”.

“Quando entro no concessionário da Hyundai só penso em Kona”

“Não há melhor do que Kona”

“Troquei o meu antigo Hyndai por Kona”

“É fácil ter Kona. Basta ir à Hyundai”

“Pai, quero Kona. Vai à Hyundai, filho”

O meu smartphone sempre conectado com Kona

“O meu smartphone sempre conectado com Kona”

Além disso, segundo meu irmão Francisco, é muito mais másculo andar de Kona do que de Kauai. Mais do que uma questão de significados ou associações é mesmo uma questão de sonoridade. Kona enche a boca (salvo seja) e Kauai parece um débil gemido.

Uma oportunidade impagável

O mais importante perceber é que a marca coreana pode ter ganho uma enorme oportunidade de propagação desta forma, sem saber. Em Portugal, querem desperdiçar um dos mais belos acasos de geolocalização de marca.

O valor proporcionado pela marca através dos seus carros já é reconhecido pelos seus clientes e potenciais compradores, pelo que um pouco de barulho de fundo poderá até ajudar nas vendas. Não existe má publicidade, como dizia P. T. Barnum.

Afinal, mesmo os atalhos fortuitos ou as vielas do desentendimento fazem parte do nosso caminho. Neste caso a Hyundai bem podia ter esquecido o resultado final e lembrar-se que dentro dum carro, mesmo com nome peculiar, há sempre um destino mas o que conta é a viagem.