Viagem ao Centro do Eu (por Alexandra Ferreira)

48212729_991474027702850_378660792309907456_n
Uma das minhas maiores paixões foi sempre Viajar pelo Mundo.
Apesar de toda a prévia preparação para cada viagem, a expectativa nunca era elevada. Optava antes por manter a aceitação do que viesse, como método preventivo para a decepção.
Através das viagens, em mundos aparentemente tão diferentes, gentes que apenas não falavam a mesma língua, eu optei por CRESCER.
Absorver o que aquele lugar tinha para mim enquanto Presente da Vida. Uma espécie de Viagem em “slow motion” até à minha Essência.
Assim é também, com o Life Coaching, uma viagem profunda e desafiante em cada etapa que surge.
Quanto maior é o auto descobrimento, maior é a vontade de apenas “ficar” no melhor de nós.
Enquanto LifeCoach entrego literalmente os “passaportes” para uma Viagem longa e profunda ao CENTRO DO EU.
Nunca nada ficará igual quando arriscas MUDAR!
Jamais poderás olhar inerte sobre a tua história, pois esta passará a ter VIDA dentro.
Anúncios

Anitta e a ética de trabalho

20181116082837707861i

A primeira vez que a Netflix me surpreendeu com a vida de um músico foi através do documentário sobre Keith Richards. Por detrás da capa de rockeiro, fumador compulsivo e antigo (?) consumidor de drogas, existe um homem sensível, que pondera a vida segundo os sentimentos e que ama o processo criativo como poucos. Escrevi sobre o seu documentário no artigo Keith Richards e o rock sentimental.

Nos últimos dois dias surpreendi-me de novo e, desta feita, com algo que diz respeito ao Pista de Aterragem.

Nasceu Larissa em Honório Gurgel, uma zona pobre do Brasil. Hoje, é dona de um império musical e atingiu vários tops mundiais com músicas cantadas em português, espanhol e inglês. Partiu do funk brasileiro. Hoje move-se facilmente entre vários géneros musicais.

Anitta já não é apenas a rapariguinha ambiciosa que nasceu em Honório, mas também. É uma marca de sucesso mundial, desejada por muitos, com um toque de Midas musical que transforma tudo em êxito.

Nunca fui um entusiasta da Anitta, mas a minha perspectiva mudou com o documentário que a Netflix produziu sobre a estrela brasileira. Não se trata de uma questão de gostos, porque o que é mostrado no documentário vai para além da pura opinião.

Anitta é um exemplo de ética de trabalho. Cria bom ambiente dentro da sua equipa, mas é exigente com todos os que a rodeiam e diligente em todos os seus compromissos. Com vinte e cinco anos a forma como lidera toda a sua entourage é surpreendente. As opiniões e as lágrimas de felicidade de alguns dos seus colaboradores mostram o poder de influência que Anitta tem.

Ao mesmo tempo que mantém a atitude provocadora e sensual, a artista não se coíbe de doutrinar os seus fãs sobre como devem proceder. Tudo porque também ela tem origens pouco favorecidas e conseguiu chegar até ao estrelato à custa do seu sacrifício.

É inspiradora a forma como se movimentou desde cedo para atingir os seus objectivos. Chegou a dar concertos em cima de grades de cerveja com amigas que ainda hoje inclui em alguns dos seus trabalhos.

Ao longo do lançamento da sua campanha musical Checkmate, Anitta desenvolve relações de afinidade e cumplicidade com produtores musicais de topo que acabam também por se surpreender com a facilidade de trabalhar em conjunto com a brasileira.

Apesar da sua jovem idade, Anitta fala fluentemente as três línguas em que canta, o que não é nada comum para um brasileiro com as suas origens. O seu discurso sobre o caminho percorrido é elaborado e as saídas jocosas sobre o facto do funk brasileiro ser considerado, cito, “música para burros” são utilizadas amiúde.

A sua dependência do trabalho acabou por custar-lhe o casamento. Isso prova talvez duma forma ainda mais contundente o compromisso que Larissa tem com Anitta e o sucesso. A forma presente como gere o marketing, a ideia de lançar um vídeo musical de Checkmate por mês, o videoclip transmitido em directo no dia do seu aniversário com uma produção fora de série e a colaboração com nomes como J Balvin, Alesso, Poo Bear, entre outros, é alucinante.

Não consigo criticar o facto de ser workaholic. Revejo-me de alguma forma na sua forma de querer estar presente em tudo e até na maneira aparentemente descontraída com que aparenta lidar com toda a pressão.

O documentário mostra isto e muito mais em apenas seis episódios de meia hora, mas foi o suficiente para mudar a percepção que tinha de Anitta. Em vários momentos, a semelhança com a atitude minuciosa de Michael Jackson em This Is It salta à vista. Não há detalhe que seja deixado ao acaso.

A viagem de Anitta já conta com vários marcos e quem com ela trabalha afirma que não há destino que a possa limitar. O que é tomara ser tomado como exemplo, porque há sempre um destino, mas o que conta é a viagem.

Gustavo Carona: Histórias de pró-actividade alheia

Gustavo Carona

Vai para a décima missão humanitária. Tem trinta e oito anos. Duas frases que mereciam já uma vénia, mas ainda há muito para dizer sobre o Gustavo Carona.

Trabalhei com ele durante pouco tempo, em 2014, por altura da sua passagem na Unidade de Cuidados Intensivos Neurocríticos do Centro Hospitalar de São João, no Porto. Por essa altura, já o Gustavo tinha feito missões humanitárias. No entanto, tenha sido pela curta convivência ou pela falta de tempo de conversa, nunca cheguei a perceber a dimensão do que ele fazia. Não tomei sequer conhecimento das missões a não ser através das redes sociais, já nenhum de nós trabalhava no mesmo sítio.

Quando isso aconteceu, senti que tinha perdido uma oportunidade: saber mais sobre as pessoas que sacrificam o seu conforto, que saem do seio familiar, que abandonam amigos durante largos meses para ajudar desconhecidos em cenários de guerra e desfavorecimento brutal não é para qualquer um.

A oportunidade chega em forma de livro. O Mundo Precisa de Saber. Não, não sou eu que afirmo. É o título do relato e é uma afirmação que o Gustavo faz frequentemente, chamando a atenção para flagelos que deflagram todos os dias pelo Mundo, sem que o “mundo” saiba.

Deixo-vos com o link. Não é meu apanágio escrever sobre um livro que ainda não tenha lido, mas a necessidade do mundo saber é mais forte. Não é pior se outros souberem primeiro, desde que todos saibam.

Voltarei a este livro mais tarde, com mais tempo e conhecimento de causa, mas este texto serve também de agradecimento. O mundo seria um lugar muito menos gracioso e bonito se não existisse o Gustavo. Se não existissem os Médicos Sem Fronteiras. Se não existissem todos aqueles que prescindem do que o Mundo tem para dar para poderem dar ao Mundo aquilo que ele mais precisa.

Este texto é, ainda, um abraço feito de palavras de força, para que às mãos destes heróis as atrocidades que nos auto-infligimos enquanto humanidade possam ser mais suportáveis para aqueles que as sofrem.

Gustavo Carona é médico e escritor. Publicou 1001 Cartas para Mossul, 1001 Cartas de Mossul e O Mundo Precisa Saber. Através da acção humanitária, viaja para lutar por um Mundo melhor, para melhorar a viagem dos menos favorecidos.

Porque há sempre um destino, mas o que conta é a viagem.

Link Wook do Gustavo Carona e dos seus livros

Paco e Amplifica-Dor: Histórias de pró-actividade alheia

Captura de ecrã 2018-12-04, às 22.24.59

Falar de empreendedorismo pode tornar-se algo vazio se não associarmos o conceito às pessoas. É através de cada um de nós que esta atitude se materializa e é no nosso círculo de conhecimentos que ela se reproduz.

Quando comecei a escrever não existiam redes sociais e, hoje, a literatura que as inunda não é, de todo, a mais prodigiosa. Enfrentei algumas dessas barreiras ora sozinho, ora com a ajuda de um círculo muito restrito.

Hoje, com um caminho construído à minha imagem, com opções muito próprias, sinto que essas dificuldades poderiam ter sido ultrapassadas de outra forma. Por isso, quando tenho oportunidade de apresentar a iniciativa de terceiros faço-o com gosto, cumprindo o lado positivo das teorias cármicas que tanto aplicamos pelo seu lado negro.Captura de ecrã 2018-12-04, às 22.27.28

O que explico no artigo anterior sobre o turismo, passa-se também na música. Não é preciso procurar longe para encontrar o que pensávamos ser um exclusivo de outras paragens. Não é preciso ir até Nova York para ter letras de rap duras. Não é preciso ir a San Diego para encontrar os novos Blink 182.

Paco, do colectivo 4T4 Team, e os Amplifica-Dor chegam até nós pelos meios digitais preferidos dos Millenials, a sua geração. Para trás fica o tempo em que a dependência de grandes labels faziam o talento dispersar-se até ao desaparecimento.

Podemos optar pelo realismo das palavras de Paco ou pelo ritmo empolgante dos Amplifica-Dor, mas em nenhum dos casos seremos indiferentes às mensagens que transmitem. O quotidiano de toda uma geração que sofre com as pressões sociais, que sente que o mundo a encurrala para a mediocridade ou que a obriga a ser mais do que que já existe.

Dependendo dos gostos o impacto será diferente, mas a iniciativa é de louvar em qualquer dos casos. De um lado as poderosas batidas, do outro as melodias electrizantes, ambos nos levam até ao mesmo capítulo que todos temos de percorrer para nos soltarmos dos grilhões do quotidiano e dar asas à criatividade.

Usufruam do rap de Paco ou do punk rock de Amplifica-Dor.

A continuarem com esta energia, o destino é o sucesso. Que o caminho seja também de diversão porque há sempre um destino, mas o que conta é a viagem.

Links e Fichas técnicas:

F*CK THEM – Paco

https://www.youtube.com/watch?v=6fUrfTdPgSA

Letra e Voz: Paco (4T4 Team) – https://www.instagram.com/paco4t4

Gravação, mix e masterização: Duplo (RockitMusic) – http://www.instagram.com/duplo_rm

Produção: Northside – http://www.instagram.com/silva_4405

SOFIA – Amplifica-Dor

https://www.youtube.com/watch?v=jR6xqVgL_Ts

Áudio

Música, letra, arranjo e produção: Amplifica-Dor –http://www.instagram.com/amplifica_dor

Voz e baixo: Pedro Rafael – http://www.instagram.com/iampedrorafael

Guitarra: Hugo Alberto – http://www.instagram.com/portuguese.idiot

Bateria: Pedro Gonçalves – http://www.instagram.com/li_n8mare

Vídeo

Elenco

Sofia

Inês Drumond – http://www.instagram.com/kaleidoscop.e.eyes

Rockeiros

David Silva – http://www.instagram.com/david_morais5

Pedro Mateus – http://www.instagram.com/pedro_mateux

Juliana Santos

Desportistas

Ricardo Pina – http://www.instagram.com/_sl0thz_

Maria Seabra – http://www.instagram.com/mariajseabra 

Gonçalo Fonseca – http://www.instagram.com/goncalo_fonseca_

Nerds

Miguel Mota – http://www.instagram.com/mm_atoa 

Hugo Gonçalves – http://www.instagram.com/hugof.goncalves

Má Vida

Sofia Silva – http://www.instagram.com/_sofiaraquel_ 

Gustavo Carneiro – http://www.instagram.com/gustavo.carneiro.5205

Figuração e Técnica

Inês Tavares – http://www.instagram.com/_ines_tavaresxx

Sílvia Martins – http://www.instagram.com/s.martinss

Catarina Gomes – http://www.instagram.com/catgpinto

Francisco Teixeira – http://www.instagram.com/frankteixeira22

Maria Ruão – http://www.instagram.com/mariaruao

David Silva – http://www.instagram.com/itsdsilva182

Miguel Rangel – http://www.instagram.com/themiguelrangel

Diana Gonçalves – http://www.instagram.com/dianaisg

Turismo de Portugal

Captura de ecrã 2018-12-02, às 16.54.56.png

O site www.visitportugal.com venceu o prémio de Melhor Site Oficial de Turismo Mundial dos World Travel Awards e o organismo responsável pela promoção deste sector nacional saiu vitoriosa na categoria de Melhor Organismo Oficial de Turismo Mundial.

Portugal mostra-se ao Mundo com uma imagem algo diferente daquela com que por vezes nos caracterizamos. Por vezes, prolongamos os estereótipos fazendo deles profecias auto-concretizáveis. Acomodamo-nos à imagem que criamos de nós mesmos e vivemo-la internamente.

Quando somos sujeitos à avaliação de terceiros os factos são diferentes. Somos vistos como um povo de trabalho, de superação pessoal, de aculturação positiva em comparação com emigrantes de outras origens.

Estes prémios valem mais do que as categorias a que dizem respeito. Valem pela atestação fidedigna, feita prova, de que somos muito mais do que pensamos ser.

Numa conversa casual, por altura de uma das minhas viagens, uma senhora afirmava-me que tinha adorado o sul do nosso país, que tinha pena de ainda não conhecer o norte e que alimentava o sonho de viver em Portugal. Porque temos mar, temos bom clima, temos qualidade de vida, somos hospitaleiros, temos uma das melhores gastronomias do mundo, temos preços baixos para o nível de vida dos estrangeiros e temos muita História. Ouvir tudo isto da sua voz, numa situação que não exigia qualquer tipo de elogio por simples simpatia, despertou em mim o orgulho de pertencer à nossa gente.

Houve uma altura em que, para além de pensarmos que a galinha da vizinha era melhor do que a nossa, tínhamos mau marketing. Agora, o único passo que nos resta é repetir em surdina que as galinhas alheias não são melhores, são apenas diferentes.

O marketing do Turismo português ganha pelos seus argumentos simples. Não precisamos de elaborações grandiosas,  basta mostrar o que sempre tivemos. Basta demonstrar como somos.

Se isso é suficientemente bom para quem nos vê do lado de fora devia ser motivo de orgulho para nós.

Somos um destino de eleição, mas temos um caminho a percorrer enquanto portadores da nossa identidade nacional.

Há sempre um destino, mas o que conta é a viagem.

Fascismo, Um Alerta ( de Madeleine Albright)

img_9947

A política tem má fama. A culpa é, obviamente, de alguns políticos. Enquanto ciência, a política não pode ser ser negligenciada. É algo inerente à comunidade que todos constituímos. Fazemos política em casa quando estabelecemos regras de comportamento para os filhos; fazemos política quando negociamos algo com o nosso cônjuge; fazemos política todos os dias quando aceitamos algum incentivo no nosso emprego. Nas nossas empresas, fazemos política quando determinamos o caminho da nossa visão, quando cumprimos um objectivo a que nos propomos ou quando chamamos um funcionário à razão.

Todos somos políticos. Ainda assim, alguns têm o péssimo hábito de repudiar a política como se de algo venenoso se trata-se. Essa atitude passiva, que equivale aproximadamente ao silêncio durante uma conversa que não pode ser interrompida, está a criar um caminho de dissabores já percorridos na História.

A discussão política propagou-se em Portugal devido às eleições brasileiras. Jornais, como o Expresso, manifestaram-se claramente quanto à sua posição. Bolsonaro despertou a paixão de uns e o arrepio de outros através da sua inequívoca razão. Ou daquela que ele acha ter, pelo menos.

Defendo a democracia como uma solução politicamente humana de resolver os problemas nacionais e mundiais. Não gosto de ditadores nem de figuras que dizem usar a voz do povo querendo estar acima deste. Não gosto de desaforos políticos ou de gritos histriónicos que alimentam os tablóides.

Manifestei-me publicamente contra a eleição do actual Presidente do Brasil. Como escrevi neste  artigo, a evolução da sua persona política recorda-me assustadoramente outras que deram ao mundo uma face cheia de cicatrizes.

Numa das minhas habituais viagens, comprei o livro de Madeleine Albright intitulado Fascismo, Um Alerta. A primeira mulher Secretária de Estado dos Estados Unidos da América, vítima indirecta do fascismo e actual professora universitária escreve-nos sobre a sua preocupação. Não é um ensaio extremamente técnico. É uma colecção de dados que se consubstanciam entre si e que provam que o fascismo é algo que teve início mas que não terá fim.img_9941

Durante a leitura tive sensações pouco comuns. Concordância plena em algumas passagens, preocupação estimulada por factos que se somam, esperança de que os sinais sejam lidos conforme no livro. Encontrei nestas páginas ideias que gostaria que a memória não perde-se, como manifestei neste meu discurso.

Madeleine não nos fala de Bolsonaro, mas fala muito sobre Donald Trump. Divide-o dos absolutamente fascistas, mas descreve as características que o Presidente dos Estados Unidos possui que o aproximam dessa corrente. Considera-o legítimo, mas refere-se negativamente ao desrespeito que nutre pelas instituições democráticas.

Madame Secretary não faz dos políticos com comportamento desviantes uma amálgama. Diferencia-os com a nitidez de quem conviveu com muitos e de quem ouviu algumas verdades das suas bocas, apesar de deturpadas em nome do poder.

Mussolini, Hitler, Chávez, Maduro, Erdogan, Putin, Trump e a dinastia Kim da Coreia do Norte são apenas alguns dos líderes dissecados nas suas características quer positivas quer perigosas (sendo, algumas delas, coincidentes).

Um livro claro, lúcido e fruto da experiência política de quem ainda hoje frequenta a esfera do poder com o conhecimento do seu efeito aditivo e corruptor.

Um livro que nos mostra que a humanidade tem um destino que desconhecemos, mas que é também através da política (e da memória) que devemos construir o seu caminho.

Para o Homem há sempre um destino, mas o que conta é a viagem.

Black Friday

black friday

O termo Black Friday foi talhado como referência a uma crise financeira. A especulação do preço do ouro no final do século XIX, nos Estados Unidos, deu origem à desordem negra no mundo financeiro do País. A História prova-nos recorrentemente que é cíclica, certo?

Mais tarde, associou-se a expressão à passagem do vermelho ao preto (“from red to black”) no Thanksgiving, cores usadas na contabilidade dos retalhistas para representar o prejuízo e o lucro, respectivamente.

Houve ainda um período onde Black Friday era realmente negra devido à afluência de compradores histéricos e do aumento de criminalidade associada às multidões.

A reinvenção moderna deste dia relaciona-se mais com a imagem do lucro do que com os problemas apontados por outras versões, um toque de Midas comunicacional que permitiu associar os saldos absurdos a algo que poderia ter-se mantido como uma memória colectiva negativa.

Será que, afinal, a Black Friday deixou de ser tão negra?

Para as contas dos comerciantes, como antes, o negro é uma boa cor. Neste dia, ou período no caso das lojas que alargam o prazo a todo o fim-de-semana, nada melhor do que uma multidão que procura os seus produtos de forma despreocupada e apressada. É saudável e garante o início do período natalício que salvará a contabilidade até Março do ano seguinte.

Se analisarmos o fenómeno à luz de hoje e com um pouco mais de cepticismo o que o panorama  nos oferece é algo mais psicológico do que efectivo.

Todos temos acesso às mesmas notícias e aos comunicados da defesa do consumidor que alertam para preços iguais ou mais altos quando comparados com outras datas. É aqui que o efeito de grupo (ou de manada, se formos mais específicos e mais agressivos) entra em cena.

Abre-se o pano e eis a ribalta das lojas apinhada de gente que quer prioridade na altura da escolha dos produtos a preço de saldo. Já não importa que os preços não sejam assim tão baixos ou que tenham sido artificialmente aumentados no dia anterior para baixarem na Black Friday. O que mais interessa é chegar primeiro, participar da loucura, estar presente no evento mundial em que o dia se tornou.

Sabemos que o impulso é o maior inimigo das contas pessoais. Não podemos fugir dele, porque havemos de senti-lo mais cedo ou mais tarde, mas podemos controlá-lo.

A única forma séria de o fazer sem ficar alienado da febre e enclausurado em casa é procurar apenas os produtos que seguimos há algum tempo. Um casaco que desejamos há meses, aquela câmara fotográfica que andamos a namorar ou o jogo de vídeo que todos já têm mas cujo preço de lançamento achámos caro. Já conhecemos os preços normais desses produtos, por isso, se a promoção prometida existir na realidade é fácil saber se estamos a comprar bem.

Corremos o risco do preço ser igual e de ainda assim adquirirmos o produto. Uns são mais resistentes do que outros, mas ninguém é imune à manada.

Isto dito, não há que penalizar a Black Friday. Tem o nome perfeito. É negra no estacionamento livre, na confusão e, potencialmente, nas carteiras dos consumidores. É negra para os comerciantes se o negro for sinónimo de contas douradas. É negra porque percebemos quão pouco reflectem alguns quando a manada os impulsiona.

Faz parte das nossas viagens de consumidores. Devemos usufruir dela sem remorços e para isso tem de haver algum controlo.

Afinal, há sempre um destino, mas o que conta é a viagem.